Resenha histórica
Vista aérea de Ribeira de Pena
Brasão
Profundamente marcado pela bacia hidrográfica do Tâmega, o concelho de Ribeira de Pena possui uma grande variedade natural e cultural que se reflete na paisagem. Os vales profundos definidos pelo Tâmega e seus afluentes, viçosos no seu verde intenso, têm uma expressão agrícola, cultural e de povoamento tipicamente minhota. A norte e a sul, encostas alterosas revelam os maciços rochosos tipicamente transmontanos, do Barroso a norte, do Alvão a sul. Três marcas tão diferentes num território de 217,43 km² que conferem ao concelho uma heterogeneidade única e o transformam numa atração paisagística, por muitos conhecida como a Sintra de Trás-os-Montes.
A riqueza de caça e boas condições para a prática da agricultura cedo levaram à fixação das primeiras comunidades, comprovada pelas dezenas de sítios arqueológicos da Antiguidade, desde o Neolítico à época de dominação romana. Entre os diversos povoados fortificados e sítios de arte rupestre, merece especial referência a Estação de Arte Rupestre de Lamelas, que ostenta uma das maiores concentrações de gravuras rupestres do Noroeste Peninsular.
Na Idade Média este território aparece integrado nas Terras de Pena, região de presúria sousã localizada entre as Terras de Panóias, Chaves, Montenegro e Basto. As freguesias situadas no vale da ribeira do Tâmega recebem a designação “de Ribeira de Pena” por oposição ao outro núcleo das Terras de Pena, localizado no vale de Aguiar e então designado por Aguiar de Pena. Esta designação vem mais tarde a ser adotada para identificação do próprio concelho. Recebeu o seu primeiro Foral das mãos de D. Afonso IV a 29 de setembro de 1331 e foral novo por D. Manuel I a 16 de maio de 1517. Aquando da atribuição do foral manuelino, correspondia o seu território às paróquias de Salvador, Santa Marinha e Santo Aleixo. Esta situação terá motivado a transferência da sua sede para o Lugar do Pelourinho, povoação da Venda Nova, por ser uma zona geograficamente central.
D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável, pelo seu casamento com D. Leonor Alvim, possuiu neste território diversas propriedades, onde merece destaque a Quinta da Temporã, que figurou no dote de sua filha Beatriz aquando do casamento com D. Afonso, primeiro duque de Bragança e base da futura casa real.
